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Publicado em 01/08/2026 09:13 hrs
Fonte: rondoniaovivo - Em GERAL - 01/08/2026 09:30:00
Rondônia registrou em 2025 a quarta maior taxa de estelionato entre os estados brasileiros, com 1.329,6 ocorrências por 100 mil habitantes, segundo a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O índice coloca o estado atrás apenas de São Paulo, Distrito Federal e Paraná e faz de Rondônia a única unidade da Região Norte com taxa superior a mil registros por 100 mil habitantes.
O levantamento aponta que os golpes se consolidaram como uma nova face da criminalidade patrimonial brasileira, impulsionados pela digitalização dos serviços financeiros e pela atuação cada vez mais estruturada de organizações criminosas.
Brasil registra 2,26 milhões de estelionatos
Em todo o país, foram contabilizados 2.261.055 registros de estelionato em 2025, o equivalente a aproximadamente 258 ocorrências por hora. O número representa crescimento de 429,8% desde 2018, primeiro ano da série histórica utilizada pelo Anuário. Na comparação com 2024, o avanço foi de cerca de 3%.
A evolução mostra uma mudança importante no perfil dos crimes contra o patrimônio. Enquanto os roubos tradicionais apresentaram queda em 2025, os golpes seguem em trajetória ascendente, especialmente aqueles praticados por meios digitais.
Entre as modalidades mais comuns estão golpes envolvendo WhatsApp, falsas centrais bancárias, Pix, clonagem ou troca de cartões, falsas lojas e falsos leilões.
Rondônia se destaca no ranking nacional
Com 1.329,6 casos por 100 mil habitantes, Rondônia ocupa a quarta colocação nacional. O estado fica atrás de:
⦁ São Paulo: 1.808,3;
⦁ Distrito Federal: 1.717,0;
⦁ Paraná: 1.339,1;
⦁ Rondônia: 1.329,6.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 1.294,8, Espírito Santo, com 1.254,7, e Goiás, com 1.075,6 ocorrências por 100 mil habitantes.
A posição de Rondônia chama atenção porque o estado é a única unidade da Região Norte entre aquelas que ultrapassaram a marca de mil registros por 100 mil habitantes.
Crescimento acompanha digitalização
Segundo a análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a distribuição dos registros de estelionato está relacionada ao grau de bancarização, digitalização e integração da população ao sistema financeiro.
Isso ajuda a explicar por que estados mais conectados aos serviços bancários e digitais aparecem nas primeiras posições. O próprio Anuário, porém, alerta que os números devem ser interpretados com cautela, porque maior número de registros também pode refletir maior estrutura policial e maior disposição da população para comunicar os crimes.
O problema não se limita aos golpes tradicionais. Os registros de estelionato praticado exclusivamente por meios eletrônicos também cresceram no país, passando de aproximadamente 286 mil ocorrências em 2024 para 346,7 mil em 2025.
Poucos casos chegam à Justiça
Um dos pontos mais preocupantes do levantamento está na distância entre o número de ocorrências registradas e a responsabilização dos autores.
Dos 2,26 milhões de boletins de ocorrência de estelionato registrados no país em 2025, apenas cerca de 63,7 mil resultaram em processos penais. No mesmo período, aproximadamente 4,8 mil pessoas foram presas por esse tipo de crime.
O resultado significa que mais de 97% dos registros não chegaram ao Judiciário na forma de processos penais, segundo os dados apresentados pelo Anuário.
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essa baixa responsabilização contribui para transformar o estelionato em uma atividade de baixo risco para os criminosos e cada vez mais organizada.
Crime deixa de ser praticado de forma isolada
A análise do Anuário aponta uma transformação estrutural. Os golpes não são mais necessariamente praticados por indivíduos isolados, mas podem envolver organizações com divisão de tarefas, infraestrutura tecnológica, financiamento e mecanismos para movimentação e lavagem de dinheiro.
O cenário coloca um novo desafio para as forças de segurança: combater não apenas quem realiza o contato com a vítima, mas também as estruturas que fornecem dados, contas bancárias, tecnologia e mecanismos para ocultar o dinheiro obtido com as fraudes.
Para Rondônia, a quarta maior taxa do país reforça a necessidade de atenção específica ao combate aos crimes digitais, sobretudo diante da expansão dos serviços bancários eletrônicos, do Pix e da utilização crescente de aplicativos e plataformas digitais pela população.
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