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Publicado em 19/05/2026 14:32 hrs
Fonte: g1 - Em GERAL - 19/05/2026 08:03:00
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) retomou nesta segunda-feira (18) o abate experimental de búfalos invasores em áreas protegidas de Rondônia. A atividade havia sido suspensa pela Justiça Federal em março, poucos dias após o início da operação, mas uma nova decisão autorizou a continuidade do projeto piloto.
O objetivo da ação é testar métodos considerados mais eficientes e seguros para o controle dos animais invasores e avaliar os impactos ambientais da operação. O estudo deverá servir de base para a elaboração de um plano definitivo de erradicação da espécie na região do Vale do Guaporé.
Segundo o ICMBio, o projeto prevê inicialmente o abate de aproximadamente 10% dos cerca de 5 mil búfalos invasores existentes na região.
Operação usa helicópteros e controladores de fauna armados
A nova etapa da operação ocorre entre esta segunda-feira (18) e quarta-feira (20).
Os trabalhos são realizados por controladores de fauna especializados, armados com rifles, que sobrevoam a região em helicópteros para executar o abate dos animais durante o voo.
Na primeira fase do projeto, realizada em março, os agentes percorreram áreas terrestres e aquáticas da região. Segundo o instituto, mais de 100 búfalos foram abatidos naquela etapa.
O estudo desenvolvido pelo ICMBio envolve:
o próprio instituto, responsável pela logística e gestão da área;
a Universidade Federal de Rondônia, que realiza análises sobre a sanidade dos animais abatidos;
uma empresa especializada que atua voluntariamente no controle da espécie.
A expectativa é de que cerca de 500 animais sejam abatidos na primeira fase do estudo científico.
Justiça Federal autorizou retomada do projeto
O abate dos búfalos está no centro de uma disputa judicial envolvendo o Ministério Público Federal, o governo de Rondônia e o ICMBio.
O MPF questionou o início da operação alegando ausência de um plano formal de controle e falta de consulta prévia a povos indígenas e comunidades quilombolas impactadas pela ação.
Em março, o juiz federal Frank Eugênio Zakalhuk suspendeu a operação ao entender que uma decisão anterior autorizava apenas a elaboração do plano de controle da espécie, sem permitir o abate naquele momento.
Posteriormente, ao reavaliar o caso, o magistrado considerou os argumentos apresentados pelo ICMBio e concluiu que o projeto possui caráter científico e é necessário para subsidiar tecnicamente a elaboração do plano definitivo de erradicação.
Búfalos provocam impactos ambientais no Vale do Guaporé
Segundo especialistas do ICMBio, os búfalos são considerados uma espécie invasora e provocam graves impactos ambientais na região.
Como os animais não são nativos do Brasil, eles não possuem predadores naturais e se reproduzem sem controle, afetando diretamente espécies da fauna e flora locais.
De acordo com o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, o abate é atualmente a única alternativa considerada viável para conter os impactos ambientais provocados pelos animais.
Segundo o especialista, a região possui difícil acesso, o que inviabiliza a retirada dos búfalos vivos ou mortos. Além disso, por terem crescido sem controle sanitário, os animais não podem ter a carne aproveitada para consumo.
Atualmente, os búfalos vivem em áreas entre:
a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé;
a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras;
a Reserva de Fauna (Refau) Pau D’Óleo.
A região é considerada estratégica por reunir características da Floresta Amazônica, Pantanal e Cerrado.
“É um ambiente único, com várias espécies endêmicas e a presença do búfalo vai levar à extinção de várias delas”, afirmou o biólogo Wilhan Cândido.
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