Rolim de Moura - RO, 19 de Março de 2026

Entenda como a tensão entre Irã e EUA pode afetar a economia de Rondônia

Conflito reflete a produção agrícola por causa dos fertilizantes importados do Irã. Levantamento do Observatório da Indústria de Rondônia mostra que estado concentra grande parte das compras brasileiras de ureia do país do Oriente Médio.

Fonte: g1 - Em GERAL - 12/03/2026 09:21:00

Entenda como a tensão entre Irã e EUA pode afetar a economia de Rondônia

A Federação das Indústrias de Rondônia (Fiero) divulgou nesta semana um alerta sobre possíveis reflexos do conflito no Oriente Médio, envolvendo Irã e Estados Unidos, na economia do estado. Segundo a entidade, a situação pode afetar tanto a importação de insumos essenciais para a produção agrícola quanto a exportação de grãos.

Um dos pontos de maior preocupação é a ureia, fertilizante sólido muito usado na adubação de cobertura. Em 2025, segundo a Fiero, o Brasil importou cerca de US$ 84 milhões em produtos iranianos, sendo US$ 66,8 milhões apenas em ureia. Rondônia teve papel central nesse comércio: o estado respondeu por 65% das importações nacionais, com aproximadamente US$ 51 milhões em compras, das quais US$ 43,58 milhões foram de ureia.

No início de 2026, a dependência continuou. Entre janeiro e fevereiro, o Irã foi o terceiro principal parceiro de importação de Rondônia, com movimentação de US$ 22,48 milhões. Desse total, mais de 90% correspondem à compra de ureia.

Além dos fertilizantes, o Irã também é um importante destino para o milho rondoniense. Em 2025, cerca de 8% das exportações do grão tiveram o país como destino. Já nos primeiros meses de 2026, o cenário mudou: o Irã passou a liderar as compras, adquirindo 13 milhões de toneladas, o que representa mais de 60% do milho exportado por Rondônia no período.

Diante da tensão, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificou o cenário atual como de elevadíssimo risco para o agronegócio brasileiro. Em notas técnicas urgentes, a pasta apontou preocupação com um possível desabastecimento de fertilizantes e a disparada dos preços internos já no segundo semestre.

Em Rondônia, a Federação das Indústrias (Fiero) reforça o alerta e defende medidas imediatas para reduzir a dependência do Irã. A entidade destaca que a diversificação de fornecedores é estratégica para garantir o funcionamento contínuo do campo e a competitividade das safras.
 
Segundo a Fiero, países como Venezuela, Bolívia, Rússia e Nigéria podem ajudar a suprir a demanda por ureia, fertilizante essencial para a agricultura, atualmente atendida em grande parte pelo Irã. A expectativa é que a busca por novos parceiros comerciais ajude a manter a produção agrícola estável, mesmo em meio às incertezas do cenário internacional.

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