Rolim de Moura - RO, 25 de Setembro de 2026

Da farda à proteção ocupacional: estudo propõe novo olhar sobre uniforme policial militar

Artigo científico desenvolvido no Instituto Federal de Rondônia (IFRO) propõe que determinadas peças do uniforme policial sejam analisadas como Equipamentos de Proteção Individual (EPI), ampliando a proteção ocupacional e evitando que o profissional arque com custos relacionados à sua própria segurança.

Fonte: DOI: 10.54899/dcs.v23i96.7100 - Em UTILIDADE PÚBLICA - 25/09/2026 14:03:00

Da farda à proteção ocupacional: estudo propõe novo olhar sobre uniforme policial militar

Uma pesquisa desenvolvida no Instituto Federal de Rondônia (IFRO) propõe uma mudança na forma de compreender o uniforme operacional utilizado por policiais militares. O estudo, concluído e publicado na “Revista DCS” DOI: 10.54899/dcs.v23i96.7100) sob orientação da professora Angelina Licório, docente do IFRO, analisa o fardamento para além de suas funções tradicionais de padronização, apresentação pessoal e identidade institucional, incorporando a perspectiva da Segurança e Saúde no Trabalho.

O ponto central do artigo é direto: se determinadas peças do uniforme são concebidas ou utilizadas para reduzir a exposição do policial a riscos decorrentes da atividade profissional, elas podem ser analisadas sob a lógica dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

A pesquisa realizada por particulares observou a realidade da Polícia Militar de Rondônia (PMRO) e das condições enfrentadas diariamente pelos profissionais. Calor, radiação solar, chuva, umidade, abrasão, contato com vegetação, esforço físico, restrições de mobilidade e longos períodos em viaturas estão entre os fatores considerados.

Do uniforme à proteção do profissional

A investigação reuniu conhecimentos de diferentes áreas, como Segurança e Saúde no Trabalho, ergonomia, engenharia e tecnologia têxtil, higiene ocupacional, gestão de riscos, direito administrativo e planejamento das aquisições públicas.

A revisão da literatura identificou estudos anteriores sobre ergonomia policial, coletes balísticos, antropometria, desempenho físico e características dos tecidos e uniformes. O diferencial do artigo está na integração desses conhecimentos para analisar o uniforme operacional como parte de um sistema de gerenciamento dos riscos ocupacionais.

Nesse modelo, camisa, calça, coturno, cobertura e outros componentes deixam de ser avaliados apenas como vestuário. Cada peça pode ser examinada considerando três aspectos principais: o risco que ajuda a mitigar, a função protetiva desempenhada e sua correspondência com os requisitos técnicos e normativos aplicáveis.

A mudança de perspectiva altera a própria pergunta que orienta a concepção do fardamento. Em vez de discutir somente como deve ser a farda, o estudo propõe identificar quais riscos atingem o policial e qual deve ser a participação do uniforme na proteção contra esses riscos.

Reflexos para o policial e para a gestão pública

A proposta possui consequências que ultrapassam o campo acadêmico. O reconhecimento da função protetiva de determinadas peças pode influenciar especificações técnicas, escolha de tecidos e materiais, modelagem, ergonomia, testes de desempenho, durabilidade, periodicidade de substituição e planejamento das contratações públicas.

Sob essa perspectiva, componentes destinados efetivamente à proteção contra riscos ocupacionais passam a integrar a responsabilidade institucional pela segurança do profissional, evitando que o próprio policial tenha de suportar gastos adicionais para adquirir itens necessários à sua proteção durante o serviço.

A pesquisa também aponta que a incorporação dessa lógica ao planejamento público pode aperfeiçoar estudos técnicos preliminares, termos de referência e processos de aquisição, permitindo que os uniformes sejam especificados a partir dos riscos efetivamente encontrados na atividade policial.

Uma discussão que parte de Rondônia

Embora tenha utilizado a Polícia Militar de Rondônia como referência concreta, o estudo apresenta uma discussão aplicável a outras corporações brasileiras. Policiais de diferentes regiões trabalham expostos a condições ambientais, biomecânicas e operacionais variadas e utilizam diariamente uniformes e equipamentos que interferem diretamente em sua segurança, saúde e desempenho profissional.

Ao aproximar ciência, atividade operacional e gestão pública, a pesquisa amplia o debate sobre o papel do uniforme policial e aponta caminhos para que sua concepção considere, além da identidade institucional, a proteção de quem o utiliza diariamente.

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